Ciclos de Cinema
Cinema Marginal Brasileiro 
1968-1973

1/7

[Guiomar Ramos]
Podemos localizar o Cinema Marginal Brasileiro no final dos anos 1960, início dos 1970, não exatamente como um movimento cinematográfico, mas como um agrupamento de produções realizadas em diferentes bitolas, (35mm, 16mm ou Super-8), diferentes durações, (longas, médias e curtas), com alguns procedimentos semelhantes: a postura sempre irreverente, escrachada, provocativa, no conteúdo e na linguagem. São filmes-ensaio com o improviso na montagem ou no trabalho de ator.

O Cinema Marginal começou em São Paulo, no bairro da Boca do Lixo, centro de distribuição e produção de filmes, local escolhido por alguns jovens cineastas para realização de suas primeiras produções. Além de São Paulo, temos produções marginais no Rio de Janeiro, Minas e Bahia. São filmes impactados pela metáfora da antropofagia, pelas possibilidades de misturas, colagem e paródia, experimentadas pelo Tropicalismo, pela peça “Rei da Vela”, pelas instalações de Hélio Oiticica. Esse momento único de forte interação entre o cinema, as artes-plásticas, o teatro e a música popular, acontece em meio a um quadro político de crescente violência e repressão. Além desse contexto, o Cinema Marginal faz parte de um âmbito maior, que o posiciona como pertencente ao cinema experimental brasileiro, já vivido através de Limite, Mário Peixoto, em 1930, de Pátio, em 1959, Glauber Rocha e de momentos do Cinema Novo.

Este Ciclo representa um pouco o que foi o Cinema Marginal. Faltam alguns filmes importantes como, A margem, de Ozualdo Candeias, Câncer, de Glauber Rocha, as produções de Júlio Bressane desta fase, como Matou a família e foi ao cinema, O anjo nasceu, etc e os filmes de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Mas a fatia aqui apresentada é significativa: vamos ver O bandido da luz vermelha, divisor de águas, marcando a diferença inicial entre o Cinema Novo e o Marginal.E também Sem essa aranha, tipo de criação coletiva, caseira, quase entre amigos, da produtora Belair, que Sganzerla e Bressane fundaram e existiu apenas por três meses em 1970, antes dos diretores serem “despachados” pela ditadura para fora do Brasil. Orgia ou o homem que deu cria, é uma provocação a temas e personagens do Cinema Novo. Bang bang, uma colagem musical, paródia ao filme noir, do tipo trash, com fotografia e enquadramentos impecáveis. Os monstros do Babaloo e Meteorango Kid, um escracho à estrutura familiar, uma homenagem às chanchadas brasileiras. Hitler III mundo, é todo pautado por procedimentos da pop arte e pelas histórias em quadrinhos e O Vampiro da Cinemateca, através de discurso meta-cinematográfico e com a presença do próprio diretor, aborda o universo criativo da boca do lixo.

Estreia

8 a 11 de Fevereiro de 2013, no Auditório do Grupo Musical de Miragaia

Programação

8 Fevereiro 2013 || 18h00 

O Vampiro da Cinemateca (1977, BR)

8 Fevereiro 2013 || 21h30 

O Bandido da Luz Vermelha (1968, BR)

9 Fevereiro 2013 || 18h00 

Os Monstros do Babaloo (1969, BR)

9 Fevereiro 2013 || 21h30 

Sem essa Aranha (1970, BR)

10 Fevereiro 2013 || 18h00 

Orgia ou o Homem que deu Cria (1970, BR)

10 Fevereiro 2013 || 21h30 

Bang Bang (1971, BR)

11 Fevereiro 2013 || 18h00 

Meteorango kid - O Herói Intergaláctico (1969, BR)

11 Fevereiro 2013 || 21h30 

Hitler III Mundo (1968, BR)

Ficha Técnica

Programação · Guiomar Ramos

Cartaz · Alfredo 

Produção · Confederação 

Apoio · Grupo Musical de Miragaia 

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